A ARTE NO DESIGN – PARTE I

NIKE

Se você acha que História da Arte e Design Gráfico – ou qualquer outro desdobramento do design – estão afastados (como teoria acadêmica e prática de mercado) está enganado. Foi através da teoria que foi criado um dos signos mais famosos – e valiosos de todo o mundo.

A imagem da estátua que está no início deste post é a famosa estátua grega Vitória da Samotrácia, uma estátua que representava a deusa grega da vitória. Esta estátua (que está na foto) provavelmente era utilizada na proa dos navios para espantar maus espíritos e trazer sorte aos navegadores.

Se você é de uma agência e seu cliente deseja lançar um produto ligado – ou totalmente voltado – ao esporte, nada melhor para simbolizar esse sentimento do que o sentimento da vitória. Afinal, por mais que os atletas digam que o que importa é participar, na verdade o que conta mesmo é vencer, não é mesmo? Então nada melhor para representar artigos para esporte do que algo que simbolize a vitória.

Numa dessas aulas de História da Arte, chamei a atenção dos alunos perguntando se algum deles estava usando tênis da marca Nike, prontamente (óbvio) vários levantaram a mão. Quando expliquei a história da marca, vários se espantaram, já que nunca relacionariam algo tão distante – arte grega – com algo tão presente na vida deles, uma marca de tênis.

A deusa grega da vitória, era representada como uma mulher de vestido esvoaçante e asas nas costas. Às vezes, era representada segurando uma coroa de louros (prêmio do atleta vencedor) símbolo da vitória na Grécia antiga.

Para resumir a história, o swoosh (símbolo da Nike) é uma estilização de uma das asas da deusa grega da vitória. Advinhem seu nome? Niké (pronuncia-se niqué). Do seu nome, bastou tirar o acento pronto. Estava criada uma marca que representava a vitória e ainda, tinha seu nome como o próprio nome da vitória.

Agora a melhor parte: sabe quanto a pessoa que criou a marca recebeu por tê-la criado? Não sei se vão caber tantos zeros na sua tela… prepare-se..

O valor foi US$ 35,00 ! ! ! E quem fez foi a estudante de design Carolyn Davidson.

Bem… pelo menos ela pode “tirar onda” dizendo que foi a criadora da marca. Pena que tirar onda não paga as contas…

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Quem escreve?

Antônio Ribeiro é designer gráfico e ilustrador com formação pela UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Já participou de inúmeros projetos e trabalhos de grande projeção no Estado do Rio e até mesmo no território nacional, como campanhas para o HSBC e outras instituições. Foi editor de arte de uma revista mensal, por 3 anos, chegando a assumir sua gerência durante um período para ajuste do workflow da equipe. De janeiro de 2005 a janeiro de 2007 foi Gerente de Marketing da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Teresópolis (RJ), onde tinha como função a criação de peças publicitárias do Governo Municipal para as mais diversas campanhas. Tinha a incumbência ainda de aprovar diversos materiais criados pelo restante da equipe das Secretarias de Comunicação e Cultura. Além disto, foi consultor para agendas de eventos culturais da Secretaria de Cultura. Antônio Ribeiro também é o criador e organizador do ANIMASERRA – Festival Nacional de Cinema de Animação e Quadrinhos da Região Serrana do Rio de Janeiro. Já indo para a sexta edição em 2011, o ANIMASERRA em apenas cinco anos já alcançou renome nacional, sendo considerado o segundo evento gratuito mais importante do Brasil no gênero. O ANIMASERRA recebe como palestrantes nomes desde Ziraldo e Miguel Paiva, passando por Marcelo Campos e Renato Guedes até mesmo Cesar Dacol Jr (supervisor de efeitos especiais do filme 300) e Levi Trindade, editor da DC Comics no Brasil. www.animaserra.com.br . Antônio também já palestrou em diversas universidades do Estado, sobre a importância do design gráfico e da animação no mercado atual. Lançou ainda também em 2007 o livro “Brasil: Referência no Cinema de Animação e HQ”, pela Editora Zem, distribuídos em diversas livrarias do Brasil e tido como uma das publicações mais abrangentes e dinâmicas sobre o assunto até então. Atua ainda como professor concursado de História da Arte pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro. Também dá palestras sobre o mercado do design gráfico no Brasil e no mundo, assim como suas influências no dia-a-dia das pessoas. Também fala sobre filmes, efeitos especiais e cinema de animação. É videogamer aficcionado e tem uma coluna semanal no jornal O Diário de Teresópolis sobre o assunto, chamada PlayTime, além de também escrever para a revista eletrônica Arkade e para a americana World Gaming Executives Magazine. Adora jogar seu XBox 360 e/ou seu PSP enquanto testa jogos ou somente como diversão mesmo.

What Others Are Saying

  1. RDBandeira jul 2, 2009 at 3:47 pm
    Caramba! Fiquei surpresa ao saber disso tb, mas não mais do que saber que foi uma estudante! Interessante. Gostei do artigo. Parabéns!
    :D
  2. Garcia Junior jul 2, 2009 at 5:43 pm
    Design é um sub-produto da Arte. A expressividade visual antecede qualquer noção de projeto ou demanda de mercado. O desejo, conceito e materialização de ambos em algo que se pode ser observado, analisado e apreciado é Arte.
  3. Cosme jul 2, 2009 at 7:15 pm
    Sensacional, vocês foram realmente muito longe…
  4. [ LuKiTaS ] jul 3, 2009 at 4:44 pm
    Mas, e aquele treco que dizem que o logo da Nike é de quando vc está andando dai a sombra do seu pé faz esse certinho ae?…
    hahahahah

    =D

  5. Andr jul 3, 2009 at 6:31 pm
    Antônio,

    Gosto de história da arte e também concordo que devemos incluí-la na pesquisa e desenvolvimento da comunicação visual, etc.

    Mas como último comentário diz, a maioria das pessoas não relaciona a marca Nike com a história por traz dela que você apresentou.

    Isso acontece porque a mitologia grega não está no repertório de todos com essa clareza.

    Nesse caso, será que vale a pena investir numa representação que as pessoas não entendem?

  6. Ricardo Martins jul 4, 2009 at 10:47 am
    Vale lembrar que ela não ganhou apenas 35 dolares. Anos depois (acho que em 1983) ela recebeu de presente ações da empresa, como demonstração da gratidão da Nike, pelo símbolo.
  7. Daniel Eis jul 6, 2009 at 2:39 pm
    É eu gostaria de saber como foi o processo de criação que ela utilizou!!!!!

    Sorte ou Talento?
    Como será o repertório dela agora depois de tanto tempo…..
    Será que seus trabalhos continuaram com um toque inovador cheio de conceitos e teorias ?
    Como será que ela vê o Design atual?
    Essas são perguntas que me fiz depois de ler esse post!

  8. Rodolfo ago 2, 2009 at 8:39 pm
    Brilhante

    Obrigado pela valiosa informação , importante conhecer a arte e a origem do design .

    Rodolfo

  9. Mário dez 9, 2009 at 12:46 pm
    Coitada…
    é provável que quando ela diga “eu criei a logomarca da Nike”, as pessoas riam dela, e devem gargalhar na cara dela qnd diz “custou 35 ‘dólar’”

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