A China é aqui! (que saudade dos logotipos de 199 reais…)
Houve um tempo em que a maioria dos designers reclamava da concorrência desleal. Enquanto alguns investiam quatro anos numa faculdade, faziam pós-graduação e buscavam atualização e informação num sem-número de palestras, seminários, livros e pesquisas, os pseudo-designers deitavam e rolavam, ´roubando’ clientes por praticarem preços absurdamente baixos. Proliferavam sites oferecendo logotipos por 199 reais ou menos… E, quando a coisa parecia ter chegado no nível mais baixo, eis que surge uma novidade! Um novo site (por enquanto só conheço um) está promovendo uma espécie de leilão virtual de logos. O sistema funciona assim: o cliente faz uma oferta (chama-se ‘prêmio’) de 195 reais. Em seguida o site publica o perfil desse cliente e o valor do tal prêmio. Aí os ‘logotipeiros’ interessados enviam suas propostas para concorrer àquela ‘fortuna’ toda (80% do valor, pois os 20% restantes vão para o site). São 50, 60, 100 layouts enviados para que o cliente escolha a mais bonitinha. Dessas dezenas ou centenas de marcas, apenas a eleita receberá o pagamento. Os demais, trabalharam de graça!
Acho que um modelo de negócio só é válido quando contempla de forma JUSTA todas as partes envolvidas. Além disso, penso que um designer (ou qualquer outro profissional) não deva trabalhar por uns trocados, mas, sim, por uma remuneração justa. É a tal da dignidade profissional. Vejo nesse tipo de prática duas questões distintas e diametralmente opostas. A primeira delas é o prejuízo que isso causa ao mercado. Muitos podem dizer que os clientes desse tipo de site não nos oferecem perigo por estarem em outra esfera. Talvez… Penso que, aos poucos, essa cultura do ‘baratinho’ vá se disseminando e coloque o design na condição de algo menor, abrindo ainda mais a distância entre os grandes e pequenos clientes. Essa ‘comoditização’ do design fará surgir concorrentes. Logo aparecerá um site oferecendo o mesmo produto por 150 reais. Em seguida outro, cobrando 120, até atingirem o piso, seja lá qual for ele, e passarem a brigar pelas migalhas.
A segunda questão é que a esse tipo de prática gera uma enorme sub-classe profissional. Em sua maioria, os criadores de logotipos desse espaço são profissionais de outras áreas que se aventuram a mexer em softwares gráficos a fim de defender uns trocados. É na base do ‘bico’ mesmo. Gente sem formação, sem conhecimento e sem ‘estrada’, que joga meia dúzia de ideias para tentar fisgar o prêmio. Via de regra, os trabalhos que vi no site são sofríveis. Marcas medíocres com graves problemas de construção e de uso limitado. Isso colabora para turvar a imagem verdadeira dos profissionais do design, que dedicam suas vidas ao estudo sério das questões envolvidas no desenvolvimento de uma marca. Passa a impressão de que criar um logotipo é um simples exercício de software a ser feito nas horas vagas. Coisa para amadores de final de semana, com seus programinhas piratas e suas soluções instantâneas. Clicou aqui, jogou um gradiente ali, está pronto!
Na verdade, estamos falando de duas coisas distintas, mas que acabam se confundindo na cabeça dos leigos. Design, antes de mais nada, é projeto e solução. Demanda tempo, know-how e expertise. É fruto de muito trabalho, metodologia e, acima de tudo, conhecimento, coisas que só um profissional pode oferecer. Soluções rasteiras e de ‘baciada’ podem ser tudo, menos design.
É impossível não estabelecer uma ligação com os produtos chineses. Cópias de qualidade duvidosa, a maioria deles tem apenas aparência. Não funcionam. Não são confiáveis. Além disso, na outra ponta da cadeia produtiva, há mão de obra baratíssima. Condições de trabalho deploráveis. Emprego de pessoal desqualificado. Da mesma forma, esse site (o nome dele não foi citado nenhuma vez para não fazer propaganda) oferece logotipos que têm apenas aparência, não funcionam… Além de empregarem mão de obra sem nenhuma qualificação.
O pior disso tudo é que há uma minoria que atua na área (se são profissionais ou não já é outra história!) que defende esse tipo de negócio, participando e incentivando os outros a participar. Os argumentos normalmente focam na necessidade dos novos profissionais e estudantes construírem seus portfólios e entrarem no mercado. Penso que há maneiras mais bonitas e dignas de se entrar na profissão do que pela porta dos fundos. Um estudante ou profissional em início de carreira que se sujeitar a trabalhar nesses moldes, estará começando da pior maneira possível. Estará desenvolvendo uma visão completamente distorcida dessa atividade tão apaixonante. Se é para trabalhar de graça, ofereça seu serviço para entidades filantrópicas. É mais coerente, mais íntegro e mais legítimo.
Se alguém puder me provar o contrário, com um bom argumento, eu mudarei minha opinião. Nesse momento, porém, acredito que design não é nem nunca será commodity. Se me convencerem, a partir de amanhã, passarei a brigar por preço. Só por preço. Deixarei de lado todas as minhas ideologias bobas e virarei, tipo assim, um atacadista do design.
Excelente! Seus artigos são um festival de profissionalismo e bom senso! É muito bom tê-lo de volta!
Abraços,
Mônica
Estou super de acordo com o que diz.
Já ouvi falar desses sites e me recusei a participar porque não quero perder minha dignidade e ser infiel ao nosso querido design.
Tudo não se passa pela ignorância do cliente e do próprio pseudo-design que-acha-que-sabe-tudo, que-só-saber-desenhar-e-mexer-nos-programas-é-o-suficiente.
Me sinto ofendida pela desvalorização e ignorância de muitos e tenho certeza que os designers mais cientes também estão se sentindo nessa forma.
Não venderei minha alma por causa dessa palhaçada toda. Pode ser por motivo de orgulho ou paixão pela profissão, mas eu viveria na miséria fazendo bons trabalhos.
Saudades dos tempos da Bauhaus… hahahaha!
Em tempo, 195 reais é menos do que investi em livros de design só no começo desse ano. Estranhamente nenhum autor é chinês
Não acho totalmente invalida a idéia do site. Claro, você está pensando só no nosso lado. Mas cara, existem empresas que fazem anuncios em revistas e jornais que não tem nem logo, marca ou algo que a identifique. E querendo ou não, essa sub-classe já existe, fato. Bem melhor pra essas pequenas empresas escolherem um logo dentro de um punhado deles doque 1 que o “conhecido de não sei quem” fez.
Vejo isso muito mais como apenas uma ferramenta pra essa sub-classe do que, qualquer outra coisa conspiratória.
Obs¹: A Globonews vacilou feio qnd fez a matéria e deu a intender ao leigos que aquilo seria “design”, não entrevistou kras já da area e divulgou de forma escrota o serviço do site.
Obs²: Se a CBF fizesse o logo da Copa2014 pelo site, acho que sairia um melhor. EU ACHO! =]
Bom dia.
Sou Eduardo de Mello cursei tec e design / públicidade e MKT, Sigo vcs no Twitter e é o segundo artigo que acesso para ler.
Quanto ao conteúdo é mto interessante, só tenho uma resalva quanto a cor do texto, Cinza em fundo preto, não sei quanto as outras pessoas, mas eu acho que essa cor fica um pouco ilegível para o fundo que está sendo usado.
Obs: Não sou cego e nem oculos eu uso.
Espero que seja de bom proveito essa informação.
Boa Semana.
O cara contratava você para desenvolver um sistema. Depois de dias analisando o negócio do cliente, modelando o sistema e o banco de dados, você enviava a proposta.
Ai o cliente virava e dizia: “mas esse valor é muito caro. O fulano, sobrinho da nossa secretária, faz isso ai por 100,00.”
Na sua mente, a única resposta é: “Então seu FDP. Chama aquele merdinha que passa a madrugada vendo pornografia pq eu tenho mais o que fazer.”
É uma infelicidade ver estes e outros profissionais apoiarem a causa e se venderem tão facilmente, mas uma felicidade ver que ainda existam pessoas com ética e responsabilidade no meio. Os que fazem alguma diferença!
Abs.
Acho que esse tipo de serviço é fruto da total falta de informação (para a sociedade mesmo) a respeito do que é o design. Numa esfera geral, poucos sabem o que faz exatamente um designer, quiçá saberão a importância e os resultados que pode gerar. Para todos os efeitos, fazemos coisas bonitinhas para dar uma impressão melhor ao negócio. E só. Tenho para mim que é essa banalização de “eles fazem coisas bonitinhas” que levam a sites de serviços esdrúxulos como esse ou a micreiragem. Afinal, se para os clientes fazemos coisas bonitinhas, basta eles batalharem por preço e só.
É triste.
Isso é sim uma ferramenta para as sub-classes profissional, mais isso pode indo piorar, daqui a pouco eles vão querer não só logotipo, vão querer varias peças gráficas, sendo cartão, cartaz, sites, animações, enfim vai só piorando.
Nossos estudos estão valendo mais nada, a globonews jogo merda no ventilador, eles falaram que qualquer um pode ser design, apenas saber desenhar e saber mexer em um programinha.
Se isso fosse em outra profissão, queria ver oque eles iriam dizer, vou chega compra um bisturi, pronto serei medico.
Abrç
http://bit.ly/edR4vS
Alex, discordo de cada linha que você escreveu. Estou brigando pela dignidade da minha profissão. Na verdade, não consigo nem entender o que vc quer dizer.
Você acha que o certo seria que os designers brasileiros esquecessem essas frescuras, deixassem de lados as teorias aprendidas (que na sua opinião, só servem para que nos sintamos “superiores”), e nos dedicássemos a fazer logo por R$ 199,00?
Então um designer que aspira ter um bom carro, uma boa casa, viajar estudar é um mega-fresco, porque a realidade mesmo é trabalhar por migalha. Desculpe, mas sua argumentação não fez nenhum sentido para mim.
O cliente das Casas Bahia é o mesmo de uma Dell Anno por exemplo? O cliente C&A é o mesmo da Ellus? E o seu cliente, qual é? Você oferece seus serviços a um determinado público ou sonha em abraçar o mundo sem saber por onde começar?
Você, quando precisa de uma calça, compra uma calça ou compra uma calça que foi produzida dentro de normas padronizadas de processos de produção e lavagem especial, criadas a partir da ideia de um estilista de renome que estudou a melhor opção dentro da cidade ou país em que você vive, dando origem a uma possível nova tendência? Qual é seu produto, prestador de serviços de design? Você cria marcas, logotipos ou o nome que preferir, ou um projeto de design, que INCLUA esse mesmo “desenho”, essa marca?
O que esse site oferece não é um projeto de identidade visual feito com base no estudo da empresa que o solicita e o mercado a que pertence, são apenas logotipos – ou logomarcas (designer diplomado também tende a discutir esse termo por ainda não ter absorvido o conceito de neologismo) – apenas para ilustrar o nome do cliente.
A C&A é concorrente da Renner. A Ellus concorre com a Levi’s. Se a C&A ou a Renner mudaram a segmentação de seu mercado, seja através dos preços de suas mercadorias, pelos valores e visão de suas empresas ou outras mudanças, poderá se tornar um concorrente em potencial da Ellus. Se a Ellus sentir vergonha de possuir essa nova concorrência, poderá mudar a segmentação de seu mercado também.
É uma pena as faculdades apenas oferecerem um diploma e ensinamentos fechados, históricos, sem levar em conta determinadas situações de vivência, realidade e sociedade, além de básico de marketing, não é?
Para entender melhor as cabeças que fazem parte desse grupo (mais de 7.000!!!) gostaria de fazer algumas perguntas, que necessariamente não precisam ser respondidas.
Como dizia o personagem de um antigo (e péssimo) quadro de humor na TV, “Não precisa explicar! Eu só queria entender!”
Aí vão elas:
Por que algumas pessoas menosprezam outras pessoas quando elas fazem algum comentário crítico, chamando-as de rançosas, prepotentes e arrogantes?
Exercer a crítica não seria, também, um dos atributos de um designer?
Fazer uma faculdade necessariamente torna uma pessoa ‘elitizada’ ou ‘patricinha/mauricinho’?
É ruim falar sobre teoria das cores, discutir tipografia, analisar trabalhos num espaço destinado para esse fim?
É errado vislumbrar um mercado mais digno, mais ético e mais saudável num lugar que junta profissionais que compartilham desse mesmo mercado?
Escrever de forma correta e inteligível é algo negativo? O certo é apenas me fazer entender, seja como for?
É certo denegrir ou ironizar quem se manifesta de maneira contrária à nossa?
Atuo há 25 na área do design. Vindo de uma família sem muitas condições, trabalho desde os 14 anos, cursei duas faculdades e sigo estudando. Cometo muitos erros, mas tento me expressar dentro do mínimo de correção aceitável na língua portuguesa. Minha inteligência não é lá grande coisa e por isso fico tentando entender quando alguns participantes do grupo encaram algumas coisas que deveriam ser normais como sendo aberrações. Estudar é aviltante. Criticar é pecado. Defender a profissão é totalitarismo…
Não precisa explicar. Eu só queria entender!
Viva o livre arbítrio!! o/
1 – Exterminar todos os outros homens
2 – Obrigar essa mulher a gostar de mim na marra, citando varias teorias furadas que justificam porque eu sou o melhor homem pra ela
3 – Fazer por merecer o amor dela, demonstrando em ações o valor que eu tenho
Eu prefiro o caminho número 3.
Apesar de ser casado há 23 anos (com a mesma mulher!) e manter acesso esse jogo da sedução diariamente, não consigo evitar de olhar outros pares de pernas e rostos bonitos que encontro por aí, diariamente. Tampouco não deixo de trocar ideias e opiniões com os amigos sobre os atributos femininos… (ops, será que minha mulher vai ler isso?). Foi exatamente o que fiz com meu texto acima. Exercitei a questão da observação e da análise e compartilhei com os amigos, sem exterminar ninguém ou obrigar ninguém a pensar diferente. Aliás, acho a Luana Piovani linda. O quê? Você discorda?
Um abraço!
quanto a não saber direito o que é fazer design, você tem toda a razão! Tenho tentado aprender nos últimos trinta anos e sigo fazendo isso diariamente.
Quanto ao ‘medo’, acho que se você reler o texto, verá que é apenas um comentário e uma análise sobre nosso mercado, que buscou gerar reflexão e comentários a fim de proporcionar o bom e velho diálogo. Passou longe de ser uma reação de medo ou uma defesa de reserva de mercado, o que sou totalmente contrário.
Um abraço e obrigado pelas palavras!
Acredito que com certos comentários postados, meu pensamento se confirma.
Fala-se muito dos leigos, que cliente não entende os nossos termos técnicos, que não sabem o que é design e coisas do tipo. Mas ele realmente tem a obrigação de saber tudo isso? Você, designer, tem a obrigação de saber como proceder em uma cirurgia no cérebro, por exemplo?
E, a pergunta que nunca se calará: de quem é a culpa pela tal “ignorância do cliente”?
A resposta é fácil e óbvia. A culpa é daquele designer que não deixa claro seu real objeto de estudo. Ou você acha que existem “designers de unhas”, “designer de cabelos”, “designer disso e daquilo” por quê?
Poucos são aqueles que, como o Morandini, a Mônica Fuchshuber e a Lígia Fascioni, entre outros, agem para tentar amenizar as consequências destes erros que cometemos.
E um outro ponto importante é que ter diplomas não faz de ninguém um designer. Apenas indica que aquela pessoa teve acesso ao conteúdo referente à determinada área de atuação. Mas será que ela realmente aproveitou e tornou-se um profissional? Assim como, sem dúvida, existem “micreiros autodidatas” talentosíssimos e dotados de extremo profissionalismo.
Enfim, ótimo texto Mestre Morandini! Concordo em gênero, número e grau com você.
Abraço, galera!
@bnoliveira
Quando vier a Curitiba, me avise, pra gente tomar um café
obrigado pelos comentários, observações, críticas e complementos. Acho que o diálogo franco, respeitoso e cordial é a melhor forma de emitirmos nossa opinião e até mesmo mudar nossa forma de pensar.
No meu texto não pretendi (necessária ou exclusivamente) criticar quem recebe 195 reais por um logo (particularmente eu preferiria abrir uma quitanda, mas cada um tem seu preço…). O que questionei foi acerca daqueles outro 99 indivíduos que se sujeitaram a trabalhar de graça. Aqueles que queimaram seus neurônios, oferecendo propostas e NADA!
Aí, refletindo melhor, percebi que o We do Logos já oferece embutido no pacote o ‘castigo’ a quem se sujeita a participar do leilão. É como se avisassem: Quer aceitar nossas condições? Problema seu. Eu avisei
Abraços a todos. Vou assistir ao Big Brother
Blergh!!!
E é isso mesmo. Tu aceita isso? Beleza, vai lá. Não aceita? Beleza, o site ainda tá aberto pra ti. E cada um escolhe o que quer fazer.
Se tu estuda pra ser designer visual, gráfico, de produtos (sim, existem essas divisões, porque eu adoro ler textos que falam de design se referindo à parte visual, como se fosse todo o escopo de uma ciência como o Design), não me parece interessante entrar neste tipo de negócio. É uma questão de escolha e de esforço pessoal.
como sempre, falou e disse tudo. Se pessoas como desse site de 199 que são meros “cafetões de pseudo-desenhistas que não se valorizam” que o façam com elegância e inteligência, senão serão sempre meros cafetões de putas baratas
D
http://99designs.com/
O que me deixa mais triste nessa discussão é quando percebo que tem gente que se diz ‘designer’ defendendo essas iniciativas toscas. É aí que chego à conclusão que nossa categoria ainda precisa evoluir muito.
Quem faz um trabalho honesto e pautado pela ética, sabe que esse site é pura enrolação. Os clientes estão sendo enganados, os ‘designers’ (entre aspas mesmo, porque qualquer pessoa pode mandar ideias) estão trabalhando de graça. Só os donos do site é que estão muito bem, obrigado.
Eles aliás, devem estar rindo muito de tudo isso…
Abraços
Mônica
Interessante teu ponto de vista.
Contudo, é importante salientar que é o cliente quem dá o “lance” inicial. Não consegui compreender muito bem, navegando no site da empresa, mas o cliente pode ofertar, por exemplo, 800 reais para um logotipo, o que é um valor longe do ideal dependendo do projeto, mas mesmo assim me parece ser um indício de alguma mudança. Ou os “serviços” oferecidos são “tabelados”?
Enfim, cabe ao “designer” se sujeitar a isso ou não…
Mas confesso que a idéia, a essência, no sentido de organizar, fazendo o translado cliente-designer, é interessante.
Mas certamente muitas questões devem ser revistas, dentre elas, obviamente, o preço e a forma como se dá a negociação.
Abraço e parabéns pelo blog.
Se você quer ser um profissional com atribuições de serviços privativas, faça como eu, faça Ciências Contábeis, que é um curso que vai subsidiar uma “profissão regulamentada por lei” e com “código de ética”. Ou, ainda, escolher outros cursos superiores que geram profissões regulamentadas como Direito, Engenharia, Medicina, Arquitetura, etc. Aí, sim, você poderá “brigar” pelo espaço que é teu. No meu caso, que sou um Contador profissional liberal(que tem escritório próprio), quem dá o preço dos serviços (honorários,etc.) não é o mercado, nem tampouco o cliente. A qualidade e a complexidade dos serviços é que norteiam tais valores. É certo que os sindicatos procuram estabelecer “valores mínimos” para os serviços prestados, mas, geralmente, a decisão fica nas mãos de cada profissional. O único cuidado que devemos ter é evitar a “concorrência desleal” que, além de ser uma coisa latimável, acarreta punições por parte do Conselho Federal de Contabilidade (Infração ao Código de Ética).
Quanto ao teu artigo, o único ponto que concordo é quanto à questão da “barganha” dos preços de um serviço profissional (quer seja ele serviço de um designer, de um mecânico, de um faxineiro, etc.). Quem deve dar o preço é o profissional e não o cliente.E esse preço deve ser fixado em razão da complexidade do serviço e não de forma abusiva, explorando o cliente (que amanhã será ex-cliente). No mais, sua crítica é igualzinha às demais que leio web afora: é como um trem-bala sem freios,que sai atropelando tudo pela frente,inclusive a ética. Há algum profissionalismo (ou comportamento ético) em você, pejorativamente, chamar outros profissionais (inclusive, muitos com trabalhos excelentes) de “pseudo-designers” e “logotipeiros”? – Não, não há. Se você saiu de alguma faculdade de Design é lamentável que esta não tenha ensinado nada sobre comportamento ético,cujo conceito se resume simplesmente em “ser humilde e respeitar os outros”.
Quanto à questão dos cursos de Design, pelo menos numa das especializações (Design Visual ou Design Gráfico) não há (nem por longe) como falar em “regulamentação da profissão”, pois design visual(ou gráfico) é 100% “arte pura”. E a Arte pode ser regulamentada? – Não, não pode. A Arte é a expressão estética e materializada do pensamento, da idéia. Tampouco nenhum “designer gráfico profissional” pode ter a pretensão de querer monopilizar a utilização das formas geométricas e das cores, que são atributos universais. Ora, sendo as formas e cores as bases inspiradoras de uma idéia criativa, isso fica ao alcance de qualquer um que tenha um mínimo de visão estética do mundo. Deixa de ser portanto um atributo, um dom “adquirido” daquele que saiu de uma faculdade de Design. Se o indivíduo tem a capacidade de interpretar o “briefing” do cliente e desenvolve uma solução gráfica que corresponde aos anseios deste, então esse indivíduo é um “designer gráfico”. Na prática, não existe essa de “designer profissional”. Designer é designer. Infelizmente, e puramente neste contexto, aquele que cursou alguma faculdade de Designer Visual(ou Gráfico) só fez perder o seu tempo, pois sempre irá conviver com profissionais de outras áreas (ou sem profissão nenhuma), que estão se revelando excelentes designers gráficos, com ou sem concorrência desleal. Quanto às demais especializações dos cursos de Designer (em particular, Design de Produto e Design de Interiores), estas podem, um dia, gerar profissões regulamentadas, pois exigem-se, desses profissionais, fartos conhecimentos de materiais, das normas técnicas (nacionais e internacionais) padronizadas de segurança, pesquisa das tendências de mercado, estudo da arte e, obviamente, muita criatividade,conjunto de conhecimentos que, raramente, encontraríamos em alguém sem uma formação adequada.
Para concluir, quero lembrar que, quando digitei no início “Caro artigueiro”, não o fiz com o propósito pejorativo e sim, para alertá-lo de que, quando chamou os outros profissionais de “logotipeiros”, você simplesmente ficou no mesmo patamar de deles. Sabe por quê? – Porque, quando você começou a publicar artigos que emitem opiniões sobre algo e acaba influenciando terceiros, na verdade, você está praticando “jornalismo”, sem ter cursado nenhuma faculdade de Comunicação (ou de Jornalismo), curso que, inclusive, está no mesmo patamar do de Design Gráfico: sem regulamentação. Então… por analogia … qual é a diferença entre você e aqueles a quem você critica?
Sei que você não vai publicar este comentário. Mas, para mim,
Se você quer ser um profissional com atribuições de serviços privativas, faça como eu, faça Ciências Contábeis, que é um curso que vai subsidiar uma “profissão regulamentada por lei” e com “código de ética”. Ou, ainda, escolher outros cursos superiores que geram profissões regulamentadas como Direito, Engenharia, Medicina, Arquitetura, etc. Aí, sim, você poderá “brigar” pelo espaço que é teu. No meu caso, que sou um Contador profissional liberal(que tem escritório próprio), quem dá o preço dos serviços (honorários,etc.) não é o mercado, nem tampouco o cliente. A qualidade e a complexidade dos serviços é que norteiam tais valores. É certo que os sindicatos procuram estabelecer “valores mínimos” para os serviços prestados, mas, geralmente, a decisão fica nas mãos de cada profissional. O único cuidado que devemos ter é evitar a “concorrência desleal” que, além de ser uma coisa latimável, acarreta punições por parte do Conselho Federal de Contabilidade (Infração ao Código de Ética).
Quanto ao teu artigo, o único ponto que concordo é quanto à questão da “barganha” dos preços de um serviço profissional (quer seja ele serviço de um designer, de um mecânico, de um faxineiro, etc.). Quem deve dar o preço é o profissional e não o cliente.E esse preço deve ser fixado em razão da complexidade do serviço e não de forma abusiva, explorando o cliente (que amanhã será ex-cliente). No mais, sua crítica é igualzinha às demais que leio web afora: é como um trem-bala sem freios,que sai atropelando tudo pela frente,inclusive a ética. Há algum profissionalismo (ou comportamento ético) em você, pejorativamente, chamar outros profissionais (inclusive, muitos com trabalhos excelentes) de “pseudo-designers” e “logotipeiros”? – Não, não há. Se você saiu de alguma faculdade de Design é lamentável que esta não tenha ensinado nada sobre comportamento ético,cujo conceito se resume simplesmente em “ser humilde e respeitar os outros”.
Quanto à questão dos cursos de Design, pelo menos numa das especializações (Design Visual ou Design Gráfico) não há (nem por longe) como falar em “regulamentação da profissão”, pois design visual(ou gráfico) é 100% “arte pura”. E a Arte pode ser regulamentada? – Não, não pode. A Arte é a expressão estética e materializada do pensamento, da idéia. Tampouco nenhum “designer gráfico profissional” pode ter a pretensão de querer monopilizar a utilização das formas geométricas e das cores, que são atributos universais. Ora, sendo as formas e cores as bases inspiradoras de uma idéia criativa, isso fica ao alcance de qualquer um que tenha um mínimo de visão estética do mundo. Deixa de ser portanto um atributo, um dom “adquirido” daquele que saiu de uma faculdade de Design. Se o indivíduo tem a capacidade de interpretar o “briefing” do cliente e desenvolve uma solução gráfica que corresponde aos anseios deste, então esse indivíduo é um “designer gráfico”. Na prática, não existe essa de “designer profissional”. Designer é designer. Infelizmente, e puramente neste contexto, aquele que cursou alguma faculdade de Designer Visual(ou Gráfico) só fez perder o seu tempo, pois sempre irá conviver com profissionais de outras áreas (ou sem profissão nenhuma), que estão se revelando excelentes designers gráficos, com ou sem concorrência desleal. Quanto às demais especializações dos cursos de Designer (em particular, Design de Produto e Design de Interiores), estas podem, um dia, gerar profissões regulamentadas, pois exigem-se, desses profissionais, fartos conhecimentos de materiais, das normas técnicas (nacionais e internacionais) padronizadas de segurança, pesquisa das tendências de mercado, estudo da arte e, obviamente, muita criatividade,conjunto de conhecimentos que, raramente, encontraríamos em alguém sem uma formação adequada.
Para concluir, quero lembrar que, quando digitei no início “Caro artigueiro”, não o fiz com o propósito pejorativo e sim, para alertá-lo de que, quando chamou os outros profissionais de “logotipeiros”, você simplesmente ficou no mesmo patamar de deles. Sabe por quê? – Porque, quando você começou a publicar artigos que emitem opiniões sobre algo e acaba influenciando terceiros, na verdade, você está praticando “jornalismo”, sem ter cursado nenhuma faculdade de Comunicação (ou de Jornalismo), curso que, inclusive, está no mesmo patamar do de Design Gráfico: sem regulamentação. Então… por analogia … qual é a diferença entre você e aqueles a quem você critica?
Sei que você não vai publicar este comentário. Mas, para mim, o que importa é que ele sirva como ponto de reflexão. Quando nos lapidamos, o Criador agradece…
Eu sabia que você não teria coragem de permitir que seus pares lessem o meu comentário sobre sua crítica preconceituosa.
Pare de criticar os outros e vá trabalhar!
Somente com um trabalho sério e confiável é que conseguimos manter clientes.
Você manda DUAS mensagens às 20:00 da terça e depois cobra a publicação às 7:00 da quarta! Para falar a verdade, nem entendi o porquê de haver alguma razão para não publicar seu comentário.
Não acho que o que você falou seja uma ‘verdade’ (como você afirma no texto-cobrança), mas sim mais um ponto de vista, que eu respeito muito.
Só uma correção: quanto a ser jornalista, você está equivocado. Minha segunda faculdade foi justamente a de Jornalismo.
Um abraço e parabéns pela sua clareza de raciocínio, fluidez de texto e por apresentar um discurso inédito e tão inovador.
Morandini
PS. Obrigado pelo conselho sobre ir trabalhar! É o que tenho feito diariamente, mas nunca é demais lembrar, não é mesmo! Valeu!
Antes de tudo, obrigado por postar o meu comentário. Gostei da sua atitude, pois fico feliz quando me engano em relação às pessoas. Pelo menos você demonstrou que é honesto e que está aberto a qualquer discussão. O comentário saiu duplicado por causa de um vapt!vupt! inesperado quando passei o dedo no “touch-pad” do notebook, enviando o comentário antes de concluí-lo. Parece que esses touch pads são temperamentais e possuem vontade própria …
Quanto às palavras do segundo comentário, esqueça-as, pois não quis ofendê-lo, pois sei que você trabalha e pesquisa muito. Foi apenas uma estratégia que utilizo para provocar a reação do autor de uma crítica,em blogs com moderação para comentários. É claro que nem sempre funciona, pois há algumas pessoas que não agem como você.
Já que toquei na palavra “trabalho”, achei oportuno conhecer um pouco o estilo dos seus trabalhos; por isso acessei o seu site (no início, pensei que havia me enganado e acessado o site de TOM CAVALCANTE, dada a semelhança … rsrsrsrs!). A pequena amostra publicada dá uma noção da excelente qualidade, sobretudo, das ilustrações que, ao meu ver, refletem a sua pesquisa histórica da Arte, desde a “suposta” arte céltica inglesa (o Cavalo Verde) até a arte colorida e de elementos aglomerados dos Maias e Astecas; tudo isso tendo como pano de fundo a vanguarda inciciada, no Brasil, com a Semana da Arte Moderna, da qual, temos como maior representante Tassila do Amaral. Lembrando que essa é uma opinião pessoal. Citei “suposta arte céltica” porque ninguém sabe ao certo qual foi o povo que pintou aqueles cavalos e aquela figura humana (com um enorme falo) nas encostas de morros, na Inglaterra. Diante do que vi no seu site, aproveito para endossar as palavras dos designers Tati e Alex que, acho, queriam dizer justamente isto: “seus trabalhos são de qualidade excelente e para um público que saber o que quer; portanto, não se preocupe com o que está acontecendo naquele site e em outros iguais que surgirão!”
Finalizando, e tentando responder às questões do “Não precisa explicar …”, você, como todo mundo, pode e deve criticar algo ou defender algo; porém, o que devemos evitar é que a crítica transforme-se, como já disse, num trem-bala sem freios.
Parabéns por ser, também, jornalista. Sendo assim, desculpe-me pelo termo “artigueiro” do primeiro comentário, que utilizei apenas para fazer uma analogia.
Sucesso na profissão e, assim que tiver um tempinho (e com sua permissão,lógico), postarei um comentário sobre esses sites (já descobri mais um,aqui no Brasil) que criaram a “feira livre de logos e papelaria”, mas, pelo menos, abriram um canal entre empresas e designers diplomados ou não.
Um abraço!